terça-feira, novembro 29

A polémica do crucifixo



Qualquer católico, praticante ou não, sabe que não existe uma guerra religiosa em Portugal. Os cidadãos não se agitam com a decisão de retirar os símbolos religiosos e de desaconselhar a prática de actos de culto nas escolas públicas.
De facto, a polémica que se está tentar fomentar, no período em que a campanha das presidenciais começa a ferver, não passa de uma estratégia terrorista digna de um indecente oportunismo.
É neste contexto, que merece a pena analisar a posição do CDS/PP sobre o assunto.
Segundo o jornal Público, o partido liderado por Ribeiro e Castro pediu ao Governo informações sobre a forma como foi ou está a ser pedida a retirada de crucifixos das escolas públicas. Até aqui, tudo bem, é um direito que assiste ao partido político. Mas o comunicado dos democratas-cristãos/populares não fica por aqui. A dado momento, o partido diz ainda esperar que ninguém esteja a querer promover uma guerra religiosa, nefasta e completamente desajustada aos sentimentos dos portugueses e às necessidades do país. E acrescenta: qualquer hostilidade dirigida contra símbolos religiosos não pode deixar de ser entendida como vulgar expressão de intolerância.
Eis um exemplo indigno de quem tem responsabilidades políticas ao mais alto nível.
Tentar confundir asimples aplicação de uma lei equitativa com a intolerância e a guerra religiosa dá uma ideia da indigência intelectual a que chegou a luta partidária em Portugal.
Certamente, não é por acaso que até o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, afirma: Se o crucifixo nas escolas é visto como uma pressão ou um condicionamento deve ser afastado. Não é por aí que o gato vai às filhoses.

P.S. Não vale a pena tentar confundir o que se passa em Portugal com a polémica do véu em França. É a diferença entre cada um usar os símbolos que entende ( que as autoridades francesas entendem que têm o direito de vedar) e a proibição das escolas assumirem uma posição em relação a uma confissão.

3 comentários:

Laiko disse...

O velho Voltaire já tinha concluído que a humanidade só será livre quando o último padre for enforcado nas tripas do último rei. Ele lá tinha as suas razões para o dizer. Só que nas suas declarações públicas, a padralha de hoje parece mais evoluída e inteligente que os seus seguidores fundamentalistas.
Pelo menos em Portugal mantêm-se ainda, em parte, as razões que levaram Antero a proferir, há 134 anos, um discurso intitulado CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES
NOS ÚLTIMOS TRÊS SÉCULOS (www.arqnet.pt/portal/discursos/maio01.html)

Viva a República!

FT disse...

That´s the point!

Isabel De Salamanca disse...

Rui, querido... O que é isso de ser católico não praticante? Apesar de achar que nem tudo é preto e branco - também existe o cinzento - considero que a fé, em Cristo, na Igreja católica, baseada nos escritos do Novo Testamento, é algo que aquele que se diz católico deve defender. Sempre. Exemplifico: Ser católico é ter a humildade de perdoar aquele ou aquela que nos prejudica, até com a morte. Privando-nos, para sempre, de voltar (para quem acredita no Eterno, isso não acontece) em vida com essa pessoa. Ou desviar de um amor - alguém que visitava a nossa casa antes. E ainda assim, não só perdoar, como continuar a praticar a bondade.