quinta-feira, fevereiro 3

A vitória no último minuto

Pedro Santana Lopes ganhou.
Nas alegações finais, o primeiro-ministro foi mais profissional, olhando directamente cada um dos muitos milhões de portugueses que assistiram ao debate do ano, na SIC e na 2, para lhes dizer que também tem um sonho para Portugal.
O líder do PSD protagonizou uma mensagem mais clara e mais emocional, garantindo que os portugueses podem contar com ele. As suas últimas palavras são de humildade: eu atrevo-me a dizer que conto convosco.

José Sócrates esteve ao seu melhor nível.
Corajoso, afirmativo, seguro, capaz e determinado, - talvez um pouco arrogante -, o engenheiro obteve um atestado de credibilidade.
O que falhou?
As últimas palavras têm de ser olhos nos olhos, com os telespectadores, tal e qual como esteve com Santana Lopes, durante o debate, mesmo nos momentos mais difíceis, nomeadamente em relação aos boatos de que tem sido alvo.
Aliás, foi assim que o debate começou.

Maria Flor Pedroso, editora de política da RDP, colocou a pergunta certa para abrir o debate – a campanha de boatos e as polémicas declarações de Santana Lopes, em Famalicão, saltaram para cima da mesa.
Sócrates esteve magnífico. Passou ao ataque, sem medo de enfrentar a questão. Santana Lopes reagiu, apesar da condição desfavorável em que se encontrava, depois de ter sido duramente castigado pela generalidade da imprensa. Acontecia o primeiro empate do duelo.

O debate foi discutido taco-a-taco.
Em nenhum momento, apesar de uma ligeiríssima vantagem de Sócrates na primeira parte, houve um vencedor destacado.
O líder do PS bem tentou empurrar o debate para o campo da avaliação da governação Durão Barroso/Paulo Portas/Santana Lopes. Se não o conseguiu não foi por sua culpa. O modelo do debate, com perguntas pré-definidas, não permitiu esse caminho. Santana Lopes, habilmente, resistiu a replicar de forma a que os jornalistas fossem pela responsabilização da actual maioria.
Sócrates surgiu concentrado, atacando os resultados negativos das políticas aplicadas nas últimos três anos. Todavia, Santana Lopes também surgiu firme e com a lição estudada, clamando que está a ser julgado por apenas quatro meses de governação.
Os temas da primeira parte do debate, nomeadamente os impostos, as pensões, a pobreza, o aumentos dos funcionários públicos, as reformas e o desemprego, revelaram um líder do PS mais competente e agressivo, mas não permitiram um KO.

Na segunda parte, o debate começou com a co-incineração, que marcou um novo empate técnico entre os dois únicos candidatos a primeiro-ministro de Portugal.
O aborto, a clonagem, a adopção e o casamento entre homossexuais também não estabeleceram uma clara vantagem, apesar de confirmarem uma certa supremacia de José Sócrates.
Afinal, estes não são os temas principais da agenda política, como sublinhou o líder do PS. Mas, aqui, a contradição funcionou a favor de Santana Lopes. O líder do PS conferiu grande importância a estes temas, mas preferiu, e bem, apostar em assuntos realativos ao dia-a-dia dos portugueses. Santana Lopes não se deu como vencido e insistiu que estes são os temas da modernidade, que estão em cima da mesa na Europa.

A partir deste momento, tudo e todos esperavam por um clique, que permitisse eleger um claro vencedor. Mas, até neste momento, o empate permanceu.
Santana Lopes marcou pontos quando explorou o silêncio de Sócrates em relação a uma vitória do PS sem maioria absoluta. Por sua vez, o líder do PS ganhou crédito quando colocou Santana Lopes perante as trapalhadas dos últimos quatro meses, nomeadamente quando o invectivou a explicar por que razão não conseguiu governar com uma maioria no Parlamento.

Tudo se decidiu nos últimos oito minutos.
Santana Lopes conseguiu passar uma mensagem mais afectiva, assumindo-se, legitima ou ilegitimamente, como o campeão dos que enfrentam os poderosos, nomeadamente a banca.
José Sócrates, inexplicavelmente, evitou a câmara, o olhar de cada um dos portugueses, mas registou, racionalmente, uma a uma, as vulnerabilidades do seu opositor - o pior crescimento da economia, desde 1944; a subida do desemprego; a degradação das contas públicas; o sentido de Estado; a necessidade de mudar; e a vontade de fazer Portugal voltar a acreditar.

Em síntese, Santana Lopes ganhou no campo mediático, uma valência que não se pode ignorar.
José Sócrates podia ter ganho, pelo que fez durante o debate, mas cedeu no último momento, no momento crucial de uma intervenção televisiva, mas não comprometeu a sua esmagadora vantagem em relação ao seu principal e directo opositor, como comprovam as diversas sondagens

Legislativas 2005 - Os cromos (28)

Paulo Portas vai falhar o debate entre Santana e Sócrates. O presidente do CDS/PP vai estar presente num jantar com militantes do partido, num restaurante de Montemor-o-Novo, que não tem televisão.

Legislativas 2005 - Os cromos (27)

A CDU acusou hoje PSD e CDS-PP de estarem a utilizar verbas da Câmara de Lisboa na campanha eleitoral para as legislativas de 20 de Fevereiro através de acções que estão a ser planeadas há meses.

Uma entrevista imperdível

O olhar de Alain Minc sobre a realidade portuguesa, publicado Aqui, tem a vantagem de nos despertar para novas perspectivas sobre o lugar de Portugal na Europa.

Legislativas 2005 - Os cromos (26)

Luís Nobre Guedes exorta a cidade dos estudantes a uma atitude ambiental: «Coimbra devia impedir Sócrates de entrar na cidade».

Sobe e Desce

O melhor instantâneo
Rivalidades na blogosfera
A seguir
Ministro, qual Ministro?
Para esquecer
Uma grande azia

Legislativas 2005 - Os cromos (25)

Ilda Figueiredo lamentou que a pré-campanha esteja a servir para discutir 'fait divers' e não as dificuldades dos agricultores.

Legislativas 2005 - Os cromos (24)

grande contributo da JSD para uma campanha eleitoral esclarecedora continua imparável. Depois dos cartazes, chegou a hora do «manual da mentira».

A sondagem do dia

José Sócrates parte para o grande debate com Santana Lopes confortado por uma sondagem publicada no JN.

Decisivo

O debate entre José Sócrates e Pedro Santana Lopes, hoje, na SIC e na 2, às 20.30, vai decidir o vencedor das próximas eleições. Conheça tudo sobre o debate do ano Aqui.

Portas sem margem

É uma entrevista magistral ao líder do CDS-PP, na RTP.
Judite Sousa revelou um político banal, distante do brilhantismo retórico de outros momentos.
Mérito da entrevistadora ou um falhanço do político?
Paulo Portas não está habituado a ser entrevistado por jornalistas que estudaram as suas posições políticas. Felizmente, para o esclarecimento da população, a ex-directora da RTP esteve à altura de um momento importante.
O início da entrevista foi decisivo. Portas esbarrou nas questões pertinentes e incisivas sobre o estado de guerrilha eleitoral entre o PSD e o CDS-PP. Nem os nervos de aço, uma das maiores qualidades de Portas, foram suficientes para salvar a situação.
Ao longo dos primeiros minutos, o político perdeu o controlo, não conseguindo disfarçar a irritação de ser confrontado com algumas das suas posições virtuais.
Num segundo momento, Portas teve de enfrentar uma pergunta ainda mais embaraçosa. Com serenidade e frontalidade, Judite Sousa colocou em cima da mesa uma acusação do Bloco de Esquerda, divulgada umas horas antes: Bagão Félix e Paulo Portas usaram os registos do Estado para enviar cartas de propaganda aos 400 mil ex-combatentes. Paulo Portas negou, mas adiantou que iria saber o que se tinha passado.
Encostado às cordas, o dirigente partidário percebeu que a entrevista já estava comprometida, pelo que optou por uma estratégia de limitação dos estragos.
Nervoso, e algo desconcentrado, o líder do CDS-PP ainda foi obrigado a entrar em terrenos minados, como a Justiça e as Finanças Públicas, afinal, duas pastas tuteladas por personalidades ligadas ao CDS-PP. Curiosamente, Portas invocou Bagão Félix, mas esqueceu-se de referir Celeste Cardona. O mais grave ainda estava para acontecer. O patrão do CDS-PP não conseguiu – ou não quis – distanciar-se do Governo de que faz parte, responsável por algumas das maiores trapalhadas de todos os tempos, nomeadamente em relação ao défice. Nesta matéria o derrapanço foi total.
A partir do meio da entrevista, a prestação de Portas foi confrangedora. Exige transparência a José Sócrates, mas recusa revelar se vai aprovar um orçamento do PS, bem como foge a identificar qual é o partido mais bem colocado para ganhar as eleições, por três vezes consecutivas. O desastre só não foi total porque conseguiu desconcentrar Judite Sousa com um slogan bem recuperado: Não há vencedores antecipados, pois os votos são dos eleitores, não são dos partidos.
No meio do massacre -, uma situação inédita, completamente inesperada -, Paulo Portas ainda teve tempo de levantar a cabeça, insistindo numa das vulnerabilidades de campanha de José Sócrates: Ele não debate comigo. Talvez, a única questão em que marcou um ponto positivo.
No fim da entrevista, a propósito da polémica que rebentou com as declarações de Santana Lopes, em Famalicão, Judite de Sousa ainda disparou uma última pergunta de actualidade:
- Está solidário com as afirmações de Pedro Santana Lopes?
- Não sou comentador dos problemas entre o PS e o PSD, respondeu.
Judite Sousa tem o mérito de ter estado brilhante.
Paulo Portas, que não esteve ao seu nível, falhou uma oportunidade de ouro para potenciar a campanha do CDS-PP.

quarta-feira, fevereiro 2

A jovem Democracia

Os sinais de perversão das regras democráticas são mais visíveis, em períodos de campanha eleitoral.
O controlo do financiamento partidário, a verificação das despesas das campanhas eleitorais e o acesso dos partidos políticos aos meios de comunicação social, públicos e privados, deveriam ser escrupulosamente verificados e respeitados, mas, de facto, na prática, não o são.
O Tribunal Constitucional, sistematicamente, aponta irregularidades nas contas dos partidos. Aliás, é confrontado com a recusa de envio de pormenores relativos a movimentos bancários.
O responsável do organismo que deveria controlar os gastos dos partidos políticos em campanha eleitoral admitiu, recentemente, que não vai ter a possibilidade de fazer o seu trabalho porque foi empossado tardiamente e não tem os meios necessários.
Manuel Monteiro, na RTP, apontou o dedo aos critérios editoriais, acusando a estação pública de censura, com todas as letras, e em directo. Agora, chegou a vez da CDU criticar a SIC e a RTP por transmitirem o debate entre Santana Lopes e José Sócrates, quinta-feira, 3, considerando que a iniciativa discrimina os outros partidos.
Ano após ano, eleição após eleição, a repetição dos mesmos atropelos e a constatação da anarquia já nem suscitam grande atenção da parte da opinião pública.

É o regime do facto consumado, que se repete, sem cuidar da consolidação das mais elementares regras democráticas. Afinal, é a jovem Democracia portuguesa, que dá sinais de pretender continuar a ser imatura e descuidada com os princípios básicos, beneficiando do silêncio e da cumplicidade dos órgãos de soberania.

Sobe e Desce

O melhor instantâneo
O boato
A referência
A seguir
Desocupação, já
Para esquecer
O português do brasileiro

Legislativas 2005 - Os cromos (23)


Santana Lopes ainda acredita na vitória. Mais de 30% de indecisos continuam a alimentar as esperanças do líder do PSD num bom resultado.

Legislativas 2005 - Os cromos (22)

Paulo Portas prometeu uma campanha inovadora. O líder do CDS-PP garantiu que fará uma campanha pela positiva, virada para o futuro, determinada, mas muito tranquila.



terça-feira, fevereiro 1

Brilhante, mas vazio

José Sócrates aproveitou. E muito bem. À boleia dos dislates oratórios de Santana Lopes, que parecem fruto de uma circunstância mas são resultado de um raciocínio frio e calculista, José Sócrates capitalizou e brilhou na RTP, durante a entrevista que concedeu a Judite de Sousa, menos agressiva do que é normal.
Apesar de mal maquilhado, a imagem passou: o líder do PS acelerou o discurso, sempre seguro, sorridente e simpático, para com a curiosidade e insistência normal da jornalista em relação a determinados aspectos da vida política portuguesa. O candidato a primeiro-ministro, que queria determinar a forma como os jornalistas se lhe deviam dirigir durante a campanha eleitoral, helàs, surgiu mais disponível, engolindo a insuportável arrogância que transborda quando fala, pelo menos durante cerca de uma hora.
José Sócrates passou, com distinção, a prova da entrevista política. Todavia, em termos de substância, tudo ficou na mesma. Continua vago, muito vago.
O projecto de Sócrates resumiu-se a um plano tecnológico incipiente, a algumas banalidades sobre a orgânica do Governo (como se já tivesse ganho as eleições), a duas ou três promessas avulsas em termos de economia e finanças e, infelizmente, a pouco mais. É aqui que reside o problema de José Sócrates. Por diversas vezes, o candidato a primeiro-ministro disse que não se queria comprometer, o que é inaceitável para quem se candidata à liderança do Governo. Tal como repetiu, noutras circunstâncias, Sócrates continua a alimentar um tabu em relação a um eventual cenário de vitória sem maioria absoluta. Não diz o que vai fazer. Aliás, é visível o esforço que faz para tentar disfarçar o incómodo por ter de responder a esta questão. Tudo, como se Sócrates sentisse uma espécie de direito divino a ganhar as próximas eleições, sem ter que dar explicações aos portugueses.
Com a entrevista a correr bem, José Sócrates ainda teve uma oportunidade de ouro, no final da entrevista. Como político arguto não a desperdiçou. Ao elogiar a decisão de Bagão Félix em avançar com a cobrança coerciva da dívida dos clubes de futebol, José Sócrates revelou autoridade, firmeza e determinação. Mas também demonstrou o seu instinto político, prometendo contribuir para vergar quem já não tem força e está fragilizado pelo arrastamento de sucessivos escândalos
.

Legislativas 2005 - Os cromos (21)

Santana Lopes garantiu que não quis fazer insinuações sobre a vida privada de José Sócrates.


Em directo

Manuel Monteiro protagonizou um dos momentos mais intensos da cobertura eleitoral da RTP. Inconformado com o tratamento desigual que está a ser dado aos partidos com representação parlamentar e aos outros pequenos partidos, o líder do PND abandonou o estúdio da RTPN, quando a emissão estava no ar, deixando severas críticas aos critérios editoriais da estação pública.

Sobe e Desce

O melhor instantâneo
A verdade não mora aqui
A seguir
A reserva da Nação
Para esquecer
As galinhices

A notícia do dia

Paula Torres de Carvalho assina Aqui um excelente artigo, que permite atestar o ponto a que chegou a nossa Democracia. Vai ser interessante saber qual dos partidos políticos com representação parlamentar vai reagir. Ou será que o pacto de silêncio vai ser mais forte?